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30
Mar
2020
A coerência é a alma do negócio!

A coerência é a alma do negócio!

Não existe propaganda que salve a negligência com a experiência do colaborador.


"Ninguém se relaciona com pessoas que não são verdadeiras, não é mesmo? O mesmo acontece com as marcas. A verdade inspira, engaja, fideliza, envolve e, claro, vende mais...Cada vez mais é preciso ser autêntico e verdadeiro com seus princípios e valores. E estes valores devem se conectar intimamente com os seus públicos de relacionamento. Todos eles. Cada vez mais o que inspira a confiança e o engajamento das pessoas é a comunicação olho no olho." Esse é um trecho do livro Truthtelling, escrito por Raul Santahelena. O livro fala sobre a relação das marcas com seus consumidores, e como nessa relação não há mais espaço para mentiras e falta de coerência. Como mostrado no livro isso é consequência, entre outras coisas, dessa maravilhosa Internet. Hoje consumimos e produzimos conteúdo o tempo todo, com um celular e um pacote de dados.



Falamos diretamente com as marcas e com os seus outros consumidores. Cada vez menos há intermediários nessas relações.



Mas não, eu não estou aqui para falar da relação das organizações com seus consumidores, e sim da relação com os colaboradores (ou funcionários, ou empregados, como queira. Não é como você denomina que de fato faz a diferença).


A sensação que tenho é que as organizações se esquecem de que os seus funcionários são os consumidores das outras organizações (e até dela mesmo). É como se, quando chegasse para trabalhar, a pessoa passasse por um portal que a transforma. A partir dali a capacidade dela de discernir discursos vazios de coerência deixa de existir. Its a big mistake, dude! Assim como na relação com as marcas que consumimos, na relação de trabalho também temos capacidade de avaliar se os valores da organização convergem de verdade com os nossos.


A grande questão é que para atrair candidatos, às vezes (mais vezes do que eu gostaria de ver), as empresas focam na propaganda sem se atentar se o que está sendo vendido é o que os funcionários vivem em seu dia a dia. O resultado de curto prazo pode sim atender a expectativa de ter muitos interessados nas vagas, mas só o de curto prazo. Lembram que falei sobre a velocidade com que consumimos e produzimos conteúdo? Pois é!



Após entrar em uma empresa que vendeu algo que não entregou, assim como nas relações de consumo, fazemos isso circular na velocidade da luz.



Seja nas redes sociais, no glassdoor, ou no bate papo com amigos, nossa experiência ruim será compartilhada. E quem aí trabalha com Recrutamento e já ouviu de um candidato ao telefone "não tenho interesse na vaga", ou até algo mais direto mesmo: "não tenho interesse em trabalhar nessa empresa". Você não? Eu já ouvi, e algumas colegas também. E ouvir isso quando aquele gerente tá no seu pescoço pra fechar a vaga, é de doer!



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Tá bom Erika, agora que você já me deixou aqui preocupado, pensando se é por isso que não consigo fechar as vagas que temos, o que eu faço? Como você já deve saber, não existe receita de bolo quando se fala de uma estrutura que é viva e complexa. Podemos ter alguns passos iniciais ou norteadores, mas a solução será construída no caminhar.



Comece entendendo sua cultura: Como tomamos nossas decisões? Como resolvemos os problemas e como comemoramos as conquistas? Como é o dia a dia das pessoas? A relação entre as equipes?



Muitos pontos a serem observados para entender as histórias que queremos ou não continuar contando. A partir daí, é importante entender quais as histórias queremos passar a contar no lugar daquelas que serão eliminadas. Exemplo? "Aqui consegue as coisas quem perturba mais o CEO" por "Aqui consegue aprovar os projetos quem apresenta informações mais consistentes, que avaliam os resultados versus os impactos que teremos no mercado e nas equipes". O que é preciso fazer para transicionar de uma realidade pra outra? Antes de qualquer coisa, avaliar, sem fazer caça as bruxas, os gaps que temos para conseguir contar a nova história: conhecimento técnico, habilidades comportamentais, atitudes, etc. E somente aí é possível construir ações que apoiarão a mudança.


E sim, isso quer dizer que talvez você precise esperar para investir forte na propaganda da sua cultura para os candidatos. Pode ser mais difícil no início conseguir fechar suas vagas, mas te garanto que no médio prazo você estará começando a ver resultados.


No longo prazo, você vai ver as pessoas se relacionando e indicando sua empresa, mesmo depois de já nem estarem mais trabalhando lá.


Caminhamos cada vez mais para o entendimento da relevância do trabalho, e também para a liquidez dessa relação – ninguém acredita mais que precisa passar 20 anos em uma única organização para ter uma carreira consolidada. E, somado a isso, temos no mercado uma geração que é muito mais informada, mais certa do que quer e, especialmente, do que não quer nessas relações. Busque a ajuda que sua empresa precisar e trabalhe as mudanças com autenticidade e coerência.



Você não tem que fingir ser o Google se acredita em um modelo mais formal de negócio.

E aí, qual a sua opinião sobre esse assunto? Sua organização tem práticas alinhadas com o que mostra nas redes sociais? Quais caminhos você sugere para aproximar cada vez mais a realidade do que é mostrado e melhorar a experiência das pessoas que estão trabalhando pela sua empresa? Deixe seus comentários!


SOBRE A AUTORA:

Erika Almeida é Administradora especialista em gestão estratégica de pessoas. Atuou como profissional de RH por 11 anos e agora compartilha seu conhecimento e experiência com as pessoas e organizações, através de sua atuação como Consultora, Coach e Mentora.

Erika Almeida

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