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18
Mai
2020
ÁGIL OU RÁPIDO: Entenda mais sobre a metodologia ágil e como aplicar no seu RH

ÁGIL OU RÁPIDO: Entenda mais sobre a metodologia ágil e como aplicar no seu RH

Muito tem-se falado nos últimos anos sobre agilidade. Mas ainda vemos o conceito, que ganhou muita fama no mundo corporativo após o lançamento do Manifesto Ágil de desenvolvimento de software, sendo entendido de forma equivocada e pouco aproveitado pela maioria dos profissionais.

Quando falamos em ágil, rapidamente vem às nossas cabeças velocidade!! Mas é importante ressaltar que a velocidade conquistada não é necessariamente por se fazer correndo. Na verdade, o tempo para alcance dos resultados vem mais pela metodologia e do exercício de aplicar, testar e evoluir do que por fazer com rapidez.

Vamos conversar, a seguir, como entendo que a agilidade se dá e como aproveitá-la ao máximo no contexto de gestão de pessoas.

Abaixo vou apresentar alguns aspectos que, para mim, podem determinar o sucesso de um projeto conduzido com agilidade.

Para começar e, de fato, conseguirmos ser ágeis, é necessário:


1. Ter uma visão compartilhada com os envolvidos do que se espera ao final, sabendo que ela muda ao longo da caminhada.

Pode parecer paradoxal, mas na realidade não nos esforçamos para prever o futuro, pois à medida que evoluímos com o trabalho, tudo muda, desde os combinados iniciais até a expectativa de resultado final. As interações que realizamos ao longo do processo, além de transformar a nós mesmos (já que muda nossa forma de perceber o objeto de trabalho), também transforma o próprio objeto de trabalho.

Como estamos em ambiente hiperconectado, sujeitos a mudança continuas e de múltiplas variáveis, dedicar muito tempo a planejamentos longos e detalhados, tende a ser improdutivo. A mudança é certa e precisamos estar mais preparamos para senti-la e antecipar ação do que para prever o que é muitas vezes imprevisível.


2. Quebrar o projeto em entregas menores e estabelecer objetivos de curto prazo

É importante estabelecermos objetivos de curto prazo, uma vez que já vimos que é inviável pensar no médio/longo prazo, que sempre muda!

Sendo assim, fazer entregas menores e receber feedbacks constantes é a melhor forma de garantir que nos mantemos na rota para o melhor resultado. Identifica-se cedo os ajustes necessários e consegue-se implementar mais facilmente (enquanto o projeto está pequeno e barato).


3. Mantenha as etapas do projeto "pequenas e baratas"

Por falar nisso, trabalhando com as entregas menores, amém de garantir o alinhamento e a rota, gasta-se menos em cada entrega e, caso necessário voltar e corrigir, a etapa foi a mais barata possível, sem investimento desnecessário de tempo, energia e dinheiro.


4. Identifique e trabalhe pelo seu MVP (mínimo produto viável)

Talvez a maioria de nós já tenha escutado esse conceito de MVP, mas colocar em prática não é nada fácil!

Para quem tem o hábito de trabalhar buscando entregar resultados sempre muito robustos é um desafio. A busca é por identificar a menor entrega de valor que se pode fazer, ou seja, o que é essencial, para a partir daí se gerar as melhorias necessárias. Aqui o foco é na essência, no que de fato trará mais valor.

Exercício que pode não ser fácil, mas que faz toda a diferença!


5. Erre rápido e aprenda muito!

Que em algum momento alguma coisa não vai sair exatamente como você e o cliente esperam, isso é fato! E lidar com isso é libertador!

Um dos maiores ganhos de ser ágil é entender que o erro vai acontecer e que o aprendizado gerado a partir dele tem um valor imenso!

Ao contrário de uma cultura tradicional, que se ignora e abomina o erro, num cenário ágil, entende-se que ele acontece e que também gera um valor grande, através do aprendizado!

Importante dizer que não é que as pessoas trabalhem de qualquer jeito, porque errar é bacana. Não… o erro tem consequências e as pessoas precisam lidar com elas. A diferença é o entendimento de que errar ajuda e muito a gerar e compartilhar o aprendizado. Assim, estamos sempre buscando errar diferente, já que aprendemos e evoluímos com cada erro.


6. Invista em comunicação e cocriação!

Para, de fato, conseguir ser ágil a comunicação se torna ferramenta de trabalho essencial!

Não se consegue nada do que falamos anteriormente, sem estar conectado e alinhado com todos os envolvidos (e impactados).

Esse alinhamento faz com que cada parte tenha visibilidade e possa contribuir com a construção, garantindo alinhamento para o projeto.


7. Feedbacks contínuos para evolução da equipe

Você já deve estar imaginando o quanto esse trabalho se torna intenso, né??

Como já falamos, toda essa dinâmica de trabalho, gera muito aprendizado e, consequentemente, desenvolvimento. E, para que esse movimento aconteça de forma adequada e sustentável, o feedback se torna ferramenta essencial! É fundamental que aconteça de forma contínua para que a pessoa tenha condição de trabalhar e desenvolver os aspectos identificados durante o projeto (e não apenas depois de finalizadas as atividades e mudança de contexto da pessoa, como muitas vezes acontece). Isso vai fazer com haja evolução individual e de cada um no time, e os reflexos positivos apareçam ainda durante o projeto!

Como consequência de tudo isso, costuma-se chegar ao resultado esperado de forma mais rápida! Mas viram que não é simplesmente porque se aumentou a velocidade da execução? Aumentar a velocidade na mesma lógica que sempre trabalhou não é necessariamente o caminho.

Importantes ganhos que vejo serem possíveis são o aumento da criatividade e inovação (somos exigidos a fazer diferente o tempo todo) e da qualidade (afinal, há uma diminuição do retrabalho pelo alinhamento que é feito de forma constante, um aumento da confiança no projeto porque se tem visibilidade e oportunidade de corrigir a rota com menor esforço e, por fim, possivelmente um ganho de velocidade como resultado.


E o que tudo isso tem a ver com o RH? Tudo!

Primeiro, porque o ponto central desse mindset são as pessoas e a forma como elas atuam dentro da organização.

Segundo, que a necessidade da organização e da própria área por diferentes resultados num cenário de cada vez maior complexidade, o RH também precisa entregar mais valor.

Não é a toa que também foi criado um manifesto ágil para a área. E ele foi necessário para que pudéssemos dar respostas que o modelo tradicional de atuação já não dava conta.


Para ilustrar, queria fazer um paralelo do que é ágil ou não num exemplo de construção e implementação de um programa de feedback:

O QUE É ÁGIL

*Convidar as áreas que irão utilizar a ferramenta para cocriar junto com vc (entenda o que veem de valor no processo e na ferramenta, suas expectativas…);

*Entenda o que é essencial no programa e desenhe seu MVP, para que as pessoas testem!;

*Testar uma primeira versão da ferramenta de feedback com uma equipe e colher feedbacks pra testà-la;

*Mantenha-se abertx aos feedbacks e possibilidade de correção da sua rota (como especialista, garanta que o essencial se mantenha presente);

*No momento da implementação, você já tem pessoas sensibilizadas e que irão ajudá-lo a vender o projeto, porque acreditam no que foi construído;

*Levantar feitos anteriores e aprendizados - tanto na própria empresa, quanto em outros lugares.


O QUE NÃO É ÁGIL

*Tentar "adivinhar" o que as áreas que irão utilizar e veem de valor e as suas expectativas;

*Construir todo o projeto fechado em sua sala e somente depois de pronto e de bastante tempo investido apresentar às pessoas;

*Acreditar que, por ser especialista, tem que construir todo o projeto sozinhx;

*No momento de implementação, você precisa sensibilizar as pessoas da importância do projeto e ensiná-las tudo o que existe dentro da solução (o esforço costuma ser muito maior).


E você, como tem atuado? O quanto já tem de ágil em seu trabalho?


SOBRE A AUTORA:

Livia Freitas é belohorizontina, mãe do Matheusinho, ama estar com a família e os amigos, ouvir música e conversar sobre assuntos diversos! Apaixonada pelas complexidades do universo organizacional! Encara o desafio de atuar de forma transformadora, apoiando e potencializando o desenvolvimento de um modelo de gestão e cultura aderentes ao propósito e estratégia da organização. Graduada em Psicologia pela UFMG e especialista em Gestão de Pessoas pela UNA, atua no time de Gente e Gestão da Fundep e no time organizador do RH Experience, onde vivencia esses desafios diariamente com muita alegria e entusiasmo!

Livia Freitas

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