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30
Mar
2020
Agile HR

Agile HR

O QUE EU APRENDI SOBRE O AGILE HR


Áreas de gestão de pessoas poderiam ser precursoras de grandes transformações organizacionais já que estão diretamente ligadas às pessoas, mas essa não é sempre a realidade.


No primeiro semestre deste ano, participei do Workshop Agile HR com o Yoris Linhares e Matheus Haddad, nesta época, o Gerir COM Pessoas, do qual faço parte já havia realizado duas edições do RH Experience, então na minha cabeça a proposta de tirar os RHs de suas caixinhas já estava bem forte.

O RH Experience e o workshop Agile HR tem formatos muito distintos, mas a fonte do porquê existirem é muito próxima. O RH Experience é uma vivência de muita intensidade, na qual o participante é desafiado a todo o momento a pensar diferente e ao longo do processo de quase dois dias o participante recebe pílulas de conhecimento e mentorias para se desenvolver individualmente e também desenvolver o trabalho de seu grupo. Já no Agile HR a proposta é outra, o formato é de workshop. Foram apresentados conteúdos relevantes e ferramentas já validadas e o que foi mais importante é que as ferramentas foram testadas nos trabalhos em grupos.


Mas, se o formato é tão diferente, então onde está a similaridade?


Ambos falam de agilidade e sobre criar processos e cultura para uma organização enfrentar os desafios do futuro.

Ambos com muito valor, mas para momentos diferentes dos participantes. Podendo, inclusive, ser complementares.

Se estamos propondo empresas ágeis, precisamos de pessoas ágeis.


No Agile HR um dos conceitos principais, apresentado, foi o MANIFESTO AGIL PEOPLE, conhecido também como MANIFESTO RH ÁGIL. Criado pela autora Pia-Maria Thoren e inspirado no Manifesto Ágil:


MANIFESTO RH AGIL / AGIL PEOPLE


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Esse manifesto vai muito além do profissional de RH e propõem práticas para o profissional de gestão que trabalhe com pessoas em qualquer área, ou seja, qualquer gestor.


De acordo com o Manifesto Agil People qualquer gestor deveria:

  • Apoiar as pessoas para se envolverem, crescerem, e serem felizes em seu local de trabalho.

  • Incentivar as pessoas a aceitarem a mudança e se adaptarem quando necessário.

  • Ajudar a construir e apoiar redes de equipes auto-organizadas e colaborativas.

  • Nutrir e apoiar a motivação das pessoas e da equipe e capacidades, ajudá-los a construir o ambiente de que precisam, e confiar neles para fazer o trabalho.

  • Facilitar e nutrir o crescimento pessoal, para aproveitar os diferentes pontos fortes e talentos do funcionário.



Indiferente do tamanho da empresa ou da natureza de seu trabalho, ela pode se beneficiar da mentalidade ágil e se preparar para o futuro tendo uma liderança bem sucedida e uma equipe engajada.


O Manifesto Ágil é uma proposta de princípios para nortear a transformação cultural de um negócio e deve estar perceptível em práticas rotineiras da empresa.


No workshop Agile HR, antes da apresentação e teste das ferramentas e dos conceitos de agilidade foi feita uma discussão muito consistente sobre alguns dos entraves para que a mentalidade ágil transforme-se em práticas de rotinas. Vamos a algumas delas:


  • A avaliação de resultados individualizados dos profissionais da empresa não garante o resultado do negócio. E mesmo assim é muito comum vermos Avaliação de desempenhos individuais ou Avaliações de área e pouquíssimo envolvimento desses conceitos com o resultado do negócio.

  • Busca contínua pelo desempenho máximo. A gestão passa a ser o controle rígido de recursos coordenando os passos do processo para alcançar em menor tempo e com menor custo o objetivo esperado. Qualquer coisa que fuja dessa premissa pode não ser bem vinda.

  • A estrutura social pode ser um empecilho. O plano de carreira pode funcionar como um mecanismo de controle social. Os critérios para meritocracia, para subir no plano de carreira, são definidos apenas por quem já está no alto dessa carreira e consequentemente quem tem mais poder que os demais.


O mais interessante desse momento do workshop foram as reações das pessoas.

Apesar de agilidade não ser um conceito tão novo, ainda não é tão difundido em empresas muito estruturadas internamente e, consequentemente, com processos de gestão mais robustos, beirando a rigidez.

Os profissionais de gestão de pessoas, presentes no workshop, começaram a se avaliar sobre o quanto suas próprias práticas são ágeis ou são práticas que favorecem um ambiente burocrático e por vezes moroso.


Se considerarmos uma empresa como uma organização social que alcança resultados através da cooperação entre pessoas fica ainda mais claro o quanto os mecanismos de controle e comando, que formam o modelo de gestão, podem ser o fator limitante do desempenho do negócio. Sem espaço para uma cooperação real entre as pessoas o desempenho será limitado a realidade já estabelecida, com poucas inovações e poucas melhorias.


Retomando o assunto Workshop Agile HR, também surgiu, entre os participantes, uma discussão muito forte sobre o quanto nós, dos RHs, criamos estruturas complexas de gestão apenas por não confiarmos no engajamento e comprometimento dos demais profissionais. E tradicionalmente investirmos mais em mecanismos de controle do que em desenvolver confiança entre as pessoas de uma empresa. Os mecanismos de controle podem ser ferramentas para dar visibilidade ao andamento do trabalho e as responsabilidades dos envolvidos ou podem funcionar como ferramentas de controle de microatividades levando muita rigidez ao formato como o trabalho será desenvolvido.


Metodologias de gestão ágeis como Kanban e Scrum tiveram sua origem na Tecnologia da Informação e hoje são usadas em projetos e trabalhos de quaisquer naturezas. No entanto, elas são apenas métodos de trabalho, com isso ficam limitadas a abertura das pessoas envolvidas para as premissas da agilidade, como Redes Colaborativas, Transparência, Adaptabilidade, Inspiração e Engajamento, Motivação Intrínseca e Ambição. Os métodos exigem técnica e nem sempre são fáceis de implementar, mas a essência por traz desses métodos é mais simples e mais adaptável. Se houver mindset ágil entre as pessoas da empresa, a melhor metodologia de gestão rapidamente será identificada.

Tanto o Kanbam quanto o Scrum são metodologias já validadas e amplamente usadas, ambas tem muito valor, e há ainda outras metodologias que também são baseadas no conceito de agilidade. Mas, mais importante que o método é pensar de maneira ágil.



Para finalizar deixo como referência a provocação feita por Joshua Kerievsk, o criador do termo Modern Agile: "agilidade está se afogando no emaranhado de ferramentas empresariais, estrutura de escala e certificados questionáveis, que produzem mais burocracia do que resultados".


Esse conceito não foi apresentado durante o workshop, mas resume bem a mensagem de que o foco deve ser a essência, o mindset ágil.


Indiferente de qual manifesto sua empresa irá se apoiar é importante começar. A transformação de cultura começará a partir de algum ponto, MUDE FAZENDO!

Escolha uma área e ou uma pessoa referência e comece. Essa área ou esse profissional serão exemplos em agilidade para o restante da empresa. A medida que a transformação for acontecendo impactará mais pessoas a aderirem à nova cultura ágil que está sendo formada.


Você já tinha ouvido falar sobre o Manifesto RH ágil? Sua equipe já trabalha seguindo esses preceitos? Conta pra gente suas experiências, dúvidas e angústias nos comentários. Vamos trocar e evoluir juntos!


SOBRE A AUTORA:

Patrícia Martins
Design Organizacional e Consultora em Transformação de Cultura, Empreendedora e Facilitadora para potencializar resultados no mundo do trabalho.
É também Mobilizadora no Gerir COM Pessoas e Co-founder do RH Experience


REFERÊNCIAS:

https://targetteal.com/pt/blog/confianca-trabalho/

http://www.metodoagil.com/novo-manifesto-agil/


Patrícia Martins

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