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28
Set
2020
Gestão de Pessoas (Adultas)

Gestão de Pessoas (Adultas)

Em diversas formações que tenho feito sobre novas formas de gestão, uma frase é repetitiva e marcante em profissionais que buscam por um modelo mais autônomo e ágil de realizar as atividades, "Trate seus funcionários como adultos”.

Sempre fui curiosa sobre o mundo do trabalho, como Psicológa Organizacional sempre norteei meus estudos “extra-acadêmicos” para o tema saúde mental e trabalho.

Após 13 anos de imersão profissional na área de RH, muitas vezes me perdi, não coloquei todos esses conhecimentos em prática, mas, sempre tive pra mim sobre a importância da escuta! Sempre! O que diferencia um bom profissional de RH ou de qualquer outra área é a Escuta!

Encontrei então um novo lugar onde pude ouvir coisas que para mim faziam todo o sentido. Idéias que representavam o que estava ali, adormecido em algum lugar entre o inconsciente e o dia a dia. Quem me deu o primeiro choque de realidade foi @Denise Eller! Pioneira no Design Thinking aplicado, veio com frases como “A cultura come o planejamento no café da manhã” ou ainda “Porque contratar pessoas inteligentes se você vai ficar mandando elas fazerem tudo do seu jeito”. E continuei mergulhando nesse mundo, me incomodando, ouvindo, lendo, aprendendo com uma nova realidade que foi se abrindo na minha frente.

Quando pensamos evolutivamente no humano, podemos percerber que:

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Nascemos – totalmente dependentes de outro ser humano

Crescemos e aprendemos a comer sozinhos, andar, nos vestir, nos limpar....

Aprendemos regras morais e como nos comportar em diversos ambientes

Iniciamos nossa vida laboral, com um sonho a ser realizado (O que você quer ser quando crescer?) e corremos atrás de um trabalho que vá além da sobrevivência, ou se ele for apenas de sobrevivência, que ele pelo menos não nos faça adoecer.

Estudamos muito (no meu caso 5 anos de graduação + 2 anos de especialização + diversas formações na área).

Conseguimos um trabalho em nossa área e o que buscamos?

Queremos manual do que fazer?

Descrição da função nos mínimos detalhes?

Determinação de horário, de salário, de férias?

Foi isso que sonhamos?

Uma frase clichê, mas, bem profunda que me norteia é “o que você faria se não envolvesse dinheiro”. Eu faria exatamente o que tenho feito. Pensado e repensado o trabalho. Buscado formas de Gerir Pessoas como adultos. Adultos que tem como sua principal característica a autorresponsabilidade.

Todos nós somos autorresponsáveis. Somos autorresponsáveis por nos formar, somos autorresponsáveis nas nossas vidas domésticas, pelos nossos momentos de lazer e nas nossas relações. Porque aceitamos formas de retirar nossa autorresponsabilidade no trabalho?

Porque gestores insistem em formas de comando e controle, definição de processos e metas e menos na autonomia e auto responsabilização dos trabalhadores?

Por que insistem em não tratar os funcionários como adultos?

Atuei bastante com “jovens aprendizes”. No processo seletivo utilizava muito a ferramenta Gosto e Faço, onde conseguia perceber o que os aprendizes realmente gostavam e dessa forma encaixar eles nos setores que mais poderiam desenvolvê-los. Vi diversos aprendizes crescendo, sendo contratados e até mesmo encontrando sua profissão, utilizando essa escuta e conversando sobre as suas atividades e principalmente sobre como se sentiam no trabalho.

Acredito que a Gestão COM Pessoas é algo simples e revolucionário! O primeiro passo é a autorresponsabilidade, onde eu, profissional, assumo minhas obrigações no trabalho, assim como assumo todas as outras da minha vida. Já eu, gestora, trato meu funcionário como um adulto, capaz de realizar as entregas dentro das necessidades da empresa, onde o foco seja o resultado e não o processo em si.

E você?

Um ano depois, revisitando esse texto, estudei muito mais sobre o tema, conheci metodologias que ensinam a auto-gestão e aplico ela em meus trabalhos em rede. Ainda me incomoda as empresas que buscam a cadeia de comando e controle, mas, vejo que o tema tem sido mais aberto para a sociedade e o RH tem ficado cada vez mais incomodado com isso.

E assim, vamos mudando as pessoas, as pessoas mudam suas áreas, mudam suas empresas e uma cultura de autonomia começa a se formar na sociedade como um todo! Ou pelo menos isso já vem sendo discutido mais abertamente.

Permita-se conhecer algo que já nem é tão novo! Permita-se mergulhar nesse campo do conhecimento e faça das relações de trabalho algo transformador na vida das pessoas e não uma simples jornada de 8 horas diárias para sobreviver.


Sobre a autora:

Amanda Amorim Martins é Consultora de RH com mais de 15 anos de experiência na área de Gestão COM Pessoas. Tem como propósito a co-criação de relações de trabalhos saudáveis nas organizações.

Amanda Amorim Martins

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