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05
Out
2020
Que

Que "RH"​ você quer ser?

Você que trabalha com "RH" (ou o nome que vocês escolheram para usar) já se sentiu sozinha, muito exigida pelos demais e avaliada o tempo todo? Tem a sensação que por mais que faça muita coisa, sempre é insuficiente? Que o desafio de lidar com pessoas é gigante e muitas vezes queremos desistir? Imagino como está se sentindo nesse contexto de pandemia... em que o maior desafio e a maior exigência das organizações tem sido "lidar com pessoas".

Já parou para pensar que toda essa exigência está direcionada prioritariamente para o RH? Essa exigência não deveria ser distribuída a todos da organização?

Lidar com gente é uma necessidade humana básica. Não é porque você se formou em psicologia ou escolheu trabalhar com relações humanas que você deve assumir isso sozinho. Essa responsabilidade é de todos! Dentro de uma organização, somos todos adultos e responsáveis pelos nossos relacionamentos, pelo nosso desenvolvimento e pela nossa carreira.

Na última década, muitas pessoas ampliaram consciência e entenderam que os líderes são também responsáveis por pessoas, que precisam gerir conflitos e facilitar processos de transformação e evolução do time. Os líderes são também responsáveis pelo processo seletivo, pelo feedback, pelo onboarding, por reconhecer, valorizar e apoiar o desenvolvimento do time. Difícil? Muita coisa para um líder? Sim, muito difícil ser líder nesse contexto. Assim, como é difícil ser RH nesse cenário...

De alguma forma, manter essa grande responsabilidade centralizada em poucos, pode desequilibrar as relações. É certo que não podemos desconsiderar o papel de referência, exemplo e influência que as lideranças e o próprio RH tem dentro das organizações. Contudo, precisamos refletir sobre a necessidade desses papeis serem fixos e centrais e não fluidos conforme os desafios que se apresentam. Isso é uma interessante conversa para outro post...

Estamos chegando em um novo ciclo. Passamos a entender que o RH é sim muito importante, mas que não deve assumir as responsabilidades dos líderes e, muito menos, dos próprios funcionários da organização. O RH que é apenas executor operacional realmente terá pouco espaço no futuro do trabalho. O RH precisa redefinir suas responsabilidades, refazer os combinados que o trouxeram até aqui.

O papel de "RH" que está emergindo está muito mais focado em desenhar e difundir diretrizes de gestão que impactam pessoas e negócios. É aquele que traz a consciência sobre humanidade no momento das decisões estratégicas. É quem catalisa transformações organizacionais e pessoais. É quem facilita coletivos de trabalho interessados em fazer transformações e co-criar. É quem compreende a dinâmica do coletivo organizacional e atua como um radar do clima e da cultura para coletar feedbacks rápidos e direcionar ações para evolução contínua.

Reflita se você tem trabalhado mais com profissionais semelhantes a você ou com profissionais que complementam o seu perfil? Quando precisa criar um nova política, um programa, uma ação específica, com quem co-cria com você? Outros profissionais de RH? Ou você monta time com pessoas diversas, como designer, jornalistas, programadores, contadores, marketing, entre vários outros?

Vemos que cada vez mais o profissional de "RH" precisa entender, analisar criticamente e colaborar em soluções que são sistêmicas e dinâmicas. As soluções de prateleira não resolvem problemas complexos. É preciso ampliar o campo de visão, conectar a temática humano com inovação, economia, futuro, política, educação, finanças, negócios, marketing... Esses temas são do seu interesse? Focar apenas em temas referentes a sua especialidade tende a limitar seu escopo de atuação e te manter no enfoque executor operacional.

Você entende como o negócio em que você trabalha gera valor para a sociedade? Como são os fluxos para execução e entrega final ao cliente? Como os times estão divididos para entregar o propósito organizacional? Como os resultados são planejados e acompanhados? Esse temas podem não parecer tão familiares para o domínio de um profissional de RH... Mas na nova era que entramos, são fundamentais para trabalhar em organizações, sejam elas públicas, privadas, pequenas ou grandes, familiares ou profisisonais,

Esses pontos são fundamentais para que você possa atuar como designer organizacional, facilitadora, consultora, catalisadora de transformações, impactando não apenas as pessoas individualmente, mas toda a organização. Já parou para pensar nessa nova forma de atuar?

Gislaine Gandra

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