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20
Abr
2020
Sociocracia para tempos de renovação

Sociocracia para tempos de renovação

Não é de hoje que falamos que a grande maioria das pessoas pouco (ou nada) se identifica com o próprio trabalho! Não é de hoje que falamos que ser "chefe" já não cabe mais nas organizações. É de muito tempo que falamos que o que mais tem por aí são organizações (e, claro, as pessoas que nelas trabalham) sem propósito, sem saber o porquê de suas existências e suas contribuições para a sociedade.

E, nesse momento de mudanças e reflexões forçadas, me vem muito forte o pensamento: "como estão essas pessoas e organizações?", "como estão lidando com o atual contexto e os impactos que estão sentindo?". O que sei é que estamos vivendo um cenário nunca antes vivido por nós e que respostas prontas de outrora já não servem mais!


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É necessário aprofundar a reflexão e ter clareza de que a vida nos convida, inclusive, a rever nossos sistemas sociais e os combinados que nos regem (relacionamentos, economia, trabalho, consumo, etc.).




Tenho estudado mais sobre a sociocracia e, se já achava muito interessante antes, agora acho que encaixa perfeitamente! Pelos meus aprendizados até o momento, a sociocracia é um framework (modelo) de um sistema social que nos convida a trabalhar a partir de um modelo com gestão de poder compartilhado. Ao meu ver, três pilares se destacam:

1)PROPÓSITO MASSIVO (para quê essa organização existe?);

2) AUTORRESPONSABILIDADE (as pessoas são capazes de tomar decisões sobre seu trabalho e são as melhores pessoas para isso!); e

3) INTEGRALIDADE (o ser humano é um ser integral, completo e com enorme potencial)!


A Sociocracia se mostra um modelo de muita fluidez, que se propõe a potencializar e usufruir do melhor que cada pessoa tem a oferecer trabalhando em time dentro de organizações. O modelo propõe relações de colaboração, no qual as pessoas trabalham focadas na busca de resultado por um propósito em comum; e nos ajuda a entender como as decisões são tomadas; como a autonomia é exercida em cada um dos papéis da organização; qual o modelo de gestão e os acordos vigentes; e tudo isso de forma muito transparente. E essa é uma das grandes marcas do modelo: informações transparentes e acessíveis! Somente assim é possível ter uma gestão e tomada de decisão realmente distribuídas.

No dia a dia, as mudanças são grandes em relação ao modelo que tradicionalmente conhecemos. É como se a organização realmente estivesse viva. É a vida das pessoas energizando a vida da organização. A Sociocracia faz um convite para que a gente amplie o nosso nível de consciência, que possamos sair de um modo "automático" e viver a vida de forma franca, com coragem e transparência!

Para quem começa a vivenciar o modelo, são muitos choques. Um dos primeiros são quanto às reuniões, que se tornam extremamente focadas, resolutivas e produtivas. O trabalho ganha significado e responsabilidades, com o funcionário entendendo o que está fazendo, acompanhando do início ao fim as atividades e fazendo parte das construções. As pessoas trabalham com métricas e indicadores que finalmente fazem sentido! E a Sociocracia se baseia na ação (tudo no modelo é construído para as coisas caminharem, serem resolvidas, e não pararem desnecessariamente). Para isso, as tomadas de decisão se dão por consentimento (observe bem que não é consenso!) e, para algo não caminhar, a objeção que alguém traz precisa realmente fazer sentido. Senão, bora testar e colocar em prática! Sendo uma objeção válida, as pessoas a avaliam e buscam integrá-la à questão inicial, de forma que a definição seja boa o suficiente para agora e segura o suficiente para testar.

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Sei que talvez lendo assim possa até parecer que eu acredite que a Sociocracia seja um modelo perfeito. Não… e acredito que nenhum modelo seja capaz disso, em especial quando tratamos de realidades complexas, que mudam a todo tempo, evoluindo em suas conexões. O que vejo é que a Sociocracia enxerga o ser humano num outro patamar e com outro nível de consciência.

Acreditando que temas como poder, governança, tomada de decisão, autonomia são pra todos e não devem ficar restritos a uma cúpula!

É importante dizer que nem tudo são flores! Os desafios de se acreditar e buscar implementar um modelo como esse são muito grandes, assim como seus impactos no dia a dia das pessoas. É necessário construir um ambiente adequado para que o fruto floresça. E isso se dá, primeiramente, num ambiente de confiança, colaboração e coerência, tudo o que mais precisamos nesse momento!

A vida nos pede novos caminhos, tanto profissional quanto pessoalmente (se é que ainda conseguimos falar assim, de forma separada!). Precisamos e merecemos trilhar caminhos de conexão, em favor de algo que acreditamos e nos mova. E não dá mais pra esperar que alguém faça isso por nós. A reflexão pode nos levar a um novo nível de consciência. A ação pode transformar o mundo, através do nosso dia a dia! E, para mim, a Sociocracia é isso, uma forma de transformar as relações, através da ação com um novo nível de consciência.


Achou interessante? Tem muito mais! Esse texto só foi capaz de trazer um brevíssimo panorama. Vale muito a pena aprofundar os estudos. Fica aqui algumas dicas de materiais:

www.sociocracia.org.br

www.holocracy.com

www.targetteal.com.br

Livro: Reinventando as Organizações - Frederic Laloux


Já havia lido algo sobre sociocracia ou já está experimentando na sua organização? Conta pra gente o que você pensa a respeito!


SOBRE A AUTORA:


Lívia Freitas é belohorizontina, mãe do Matheusinho, ama estar com a família e os amigos, ouvir música e conversar sobre assuntos diversos! Apaixonada pelas complexidades do universo organizacional! Encara o desafio de atuar de forma transformadora, apoiando e potencializando o desenvolvimento de um modelo de gestão e cultura aderentes ao propósito e estratégia da organização. Graduada em Psicologia pela UFMG e especialista em Gestão de Pessoas pela UNA, atua no time de Gente e Gestão da Fundep e no time organizador do RH Experience, onde vivencia esses desafios diariamente com muita alegria e entusiasmo!

Lívia Freitas

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